Quem terá tramado Álvaro Vieira Branco? A série Prisão Domiciliária já se encontra integralmente disponível na plataforma OPTO

Idealizada e realizada por Patrícia Sequeira (“Terapia”, “O Clube”, “Snu”, o futuro “Bem Bom”), foi escrita por João Miguel Tavares, Catarina Moura, Rodrigo Nogueira e Tiago Pais. Ao todo são oito episódios — todas as semanas chega um novo capítulo da história.

Álvaro Vieira Branco (Marco Delgado) foi ministro das Obras Públicas, desempenhou um papel importante no partido do governo e, de alguma forma — que ainda não percebemos bem depois de apenas termos assistido ao primeiro episódio —, envolveu-se claramente em negociatas ilegais para o beneficiar a ele próprio.

Encontramo-lo no dia em que regressa da prisão, três meses depois, e fica, lá está, em “Prisão Domiciliária”, com uma pulseira eletrónica agarrada ao tornozelo. É uma prisão domiciliária de luxo: um enorme palacete com jardins, piscina e até um banho turco onde tem conversas com o advogado porque é o único sítio onde certamente não há ninguém a ouvir. O cenário do Hotel da Lapa, onde a série foi gravada em fevereiro deste ano, é quase uma personagem por si só. E consegue ser tão diverso que dificilmente se tornará claustrofóbico, mesmo que a ação se passe toda no seu interior.

Neste primeiro episódio, Álvaro Vieira Branco é um homem a tentar aproveitar a sua reconquistada semi-liberdade. Dorme com uma prostituta, promove um churrasco de família, tenta aproveitar os pequenos prazeres que lhe estiveram privados durante três meses. Só que está em negação, alheio à forma como tudo à sua volta se está a desmoronar.

A mulher, Raquel (Sandra Faleiro), está naturalmente cheia de dúvidas. Diz que os amigos e contactos profissionais deixaram de lhe atender o telefone e gere uma fundação com o nome da família que pode estar em risco de colapsar, agora que o nome de Álvaro Vieira Branco se tornou tóxico.

A filha que anda na faculdade lê os jornais e aponta o dedo àquilo que o pai terá feito. O filho adolescente quase não diz uma única palavra durante o primeiro episódio e vive escudado dentro do telemóvel ou das consolas.

Prisão Domiciliária tem todos os ingredientes para ser uma ótima série — e a porta parece estar aberta para uma possível segunda temporada. Contas feitas, a Opto, plataforma de streaming que a SIC nos deu no ano passado, é já a casa para várias produções nacionais de qualidade, e Patrícia Sequeira volta a demonstrar todo o seu talento e elegância como realizadora. São séries como esta que nos dão alento quando pensamos no futuro daquilo que pode ser a ficção em Portugal.